segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Onde a felicidade está?

Nas palavras cantadas por Zé Ramalho, na música Sinônimos ouvi que quem tem amor na vida tem sorte...
vale um fragmento:
"Como é triste a tristeza mendigando um sorriso
Um cego procurando a luz na imensidão do paraíso
Quem tem amor na vida, tem sorte
Quem na fraqueza sabe ser bem mais forte
Ninguém sabe dizer onde a felicidade está"

O ano de 2020 trouxe experiências que jamais aconteceriam não fosse a pandemia.
Sob as trancas da imperativa "fique em casa" apareceram os venenos mentais. A solidão veio acompanhada de algumas manias e depressão, pouco a pouco dissipadas num grande esforço psíquico e confort food.

Superada a primeira etapa, transitaram em mim pensamentos fugazes... 
Como seria a vida com alguém que se tem liberdade para amar?
Há quem não se deixe amar, que impeça o caminho... desvie...
Mas há aqueles possíveis.

O amor existe nas coisas simples.
Está no singelo desejo "tenha um bom dia",
beijo na boca com gosto de café,
nos olhos cúmplices,
na paz da reciprocidade,
no franco interesse de saber como se sente o outro...
É para poucos, os sortudos, o amor.
Saber amar, saber se deixar amar.

A desilusão diz que ninguém sabe dizer onde a felicidade está.

Para alguns, o amor é uma conquista.
Outros, acontece à primeira vista.
O amor pode ser construído.
Uns só dão valor quando perdem,
há ainda, 
aqueles que desprezam a possibilidade de amar, 
que tem a chance mas não a aproveitam.
É preciso saber amar, querer amor.

Definitivamente, o amor não é para os desatentos,
nem para aqueles que não enxergam o outro.
Muito menos para os imprudentes,
embora todos mereçam o amor na vida.
Sorte!



ps: me refiro ao eros.


quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Se você me esquecer... Neruda

[...]
Tudo me leva a você
Como se tudo o que existe
Aromas, luzes, metais
Fossem pequenos barcos que navegam
em direção aquelas ilhas que esperam por mim
Bem agora, se pouco a pouco você deixar de me amar
Eu devo parar de te amar pouco a pouco
Se de repente você me esquecer...
Não olhe para mim
Pois eu já devo ter esquecido você
[...]
Você decide, 
Mas lembre-se, se você
Deixar-me na costa do coração onde criei raízes
Nesse dia, nessa hora
Eu vou cruzar meus braços
E minhas raízes partirão para procurar outra terra.

Mas se, cada dia, cada hora
Você sentir que está destinado a mim
Com sua doçura implacável...

Se cada dia uma flor, escalar até seus lábios a minha procura
(se nos teus pensamentos vês meus olhos apaixonados na tua direção)
Lembre-se
Em mim todo esse fogo também existe
Em mim nada é extinguido ou esquecido
Meu amor se alimenta do seu amor
E enquanto você viver, eu estarei (perdida) em seus braços.

Pablo Neruda (mais intervenções)

domingo, 9 de junho de 2019

Lua em peixes - ficção

No final da tarde, saio de casa para caminhar um pouco
vejo a lua crescente, noto algumas estrelas.
Do outro lado do rio, o prédio espelhava o cair da tarde,
um azul escuro e, na linha do horizonte, tonalidades de laranja.
Pensamentos longe dali...
Ponderações existenciais propostas pelo livro recém adquirido,
Uma viagem que desejo fazer,
As tarefas importantes a serem cumpridas,
Algumas coisas para resolver,
Compras da semana,
e esse raio da "lua em peixes" me trouxe você...
Pequenos infortúnios das linhas do meu nascimento
me colocaram (tão in)justamente,
um lado apaixonado...
Se dependesse de mim,
eu viajaria ao passado,
bem naquele momento que eu te vi,
e eu olharia para outro lado.
Por mim,
apagaria o teu retrato da minha mente.
Silenciaria as palavras que pensei em dizer.
Copiando Pablo Neruda,
Que esses sejam os últimos versos que lhe escrevo.
Teus olhos naquele outono...
Como diz o Poeta:
Se sou esquecido,
devo esquecer também.
Pois o amor é como um espelho:
tem que ter reflexo.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Passional

Amigos, vale trazer as palavras autênticas de Roberto Lyra, sobre o intitulado homicídio passional:

"O verdadeiro passional não mata. 
O amor é, por natureza e por finalidade, criador, fecundo, solidário, generoso. 
Ele é cliente das pretorias, 
das maternidades, 
dos lares e 
não dos necrotérios, dos cemitérios, dos manicômios. 
O amor, 
o amor mesmo, jamais desceu ao banco dos réus. 
Para os fins da responsabilidade, a lei considera apenas o momento do crime. 
E nele o que atua é o ódio. 
O amor não figura nas cifras da mortalidade 
e sim nas da natalidade; 
não tira, põe gente no mundo.
 Está nos berços e não nos túmulos."

Meus aplausos!

LYRA, Roberto. Como julgar, como defender, como acusar. p. 97.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Super lua

Despedi o amor de mim
junto à âncora de argumentos sensatos,
o coração, ao oceano profundo.

Fevereiro
a super lua entre as árvores secas
hipnotiza os olhos no céu,
aguça aquela paixão, outrora dominada.

A indolente imaginação traz você,
sob a luz branda do abajour antigo
fito teus olhos castanhos e
contemplo as linhas de expressão do teu sorriso.

Nos goles do vinho tinto, 
escuto teu falar grave, 
me deleito nas tuas ideias
és magnético.

Lua vil!

Afetastes a fluidez das marés,
tanto e como
a coerência do meu percurso,
Tua beleza embriaga-me com pensamentos etéreos,
anarquizando a ordem dos meus métodos.

Medito.











imagem: https://www.metrojornal.com.br/estilo-vida/2019/02/18/maior-superlua-de-2019-ocorre-amanha-19-de-fevereiro.html

sábado, 13 de outubro de 2018

O sol

Era outono.
Nas rotinas do cotidiano, 
em um lugar qualquer,
senti uma doce frequência no ar,
sem saber quem a emanava.
Idas e vindas.
Houve, então, o dia, 
na timidez dos meus ares, 
eu vi de canto teus olhos castanhos.
Soube ali, aquela energia era tua.
No engenhoso sorriso que trago, 
dominada pela tua vibração,
desejei beijar teus lábios,
dizer ao pé do teu ouvido palavras de fascínio.
Segui calada, engolida pela rotina.
Idas e vindas.
Sonhos lúcidos te trouxeram intenso, sedento, infinito.
No silêncio da noite observamos estrelas.
O tempo passa.
No súbito pensamento,
minhas mãos percorrem teus cabelos curtos grisalhos,
tocam de leve a pele do teu pescoço,
desabotoam a tua camisa.
Eu vejo a tua alma pelos teus olhos.
Sigo a rotina.
Irrefreáveis acasos.
Dia desses, o sol despontou forte,
em um lugar qualquer,
eu fui na tua direção
pensando dizer malícias.
Na timidez,
escondo o deslumbramento no sorriso simples,
no passo apressado.
Idas e vindas.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Paixão...

"Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde, amo-te simplesmente sem problemas nem orgulho: amo-te assim porque não sei amar de outra maneira." Pablo Neruda 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Samba do amor separado I

Inda lembro quando inventei a dor
e a vida não fazia sentido
meus olhos escapavam de ti
sua alma, os olhos meus na escuridão,
seguiram-se os passos do tempo
curam a alma inflamada e 
devolvem o sorriso no rosto

naquela esquina e com pressa
duas poesias se esbarram
o toque do canto profano
e um lastro do destino
incendeia os corações inocentes

os dois casais enamorados
com dedos entrelaçados
presenciaram o medo e ciúme
o iluminar de dois amores esquecidos
ali, naquela hora arrancados
pela tempestade de outros sonhos perdidos

inda tinha você na minha saudade
e vagando pelas ruas à noite,
meus devaneios
nos traços doces do teu rosto,
a face incógnita dos teus olhos,
louca
escuto tua voz nos versos de Vinícius...

na sombra do sonho dela,
era eu acordando ao seu lado
naquela noite gelada,
ouvindo meu nome, seus olhos nos meus
suas mãos trêmulas sobre meu corpo
num abraço forte e molhado
a promessa ensandecida dos teus lábios
sou teu, és minha

na delicadeza da manhã
te escrevi uma antiga carta de amor,
prometi te querer ardentemente
com a mesma chama que te vi pela primeira vez
prometi meu coração, toda minha paixão

com a garrafa em mãos lancei no mar a nossa sorte
à beira do acaso,
em dezembro
senti teu oceano passar pelos meus dedos
achei até que eras miragem
vinhas em minha direção
com um sorriso lindo no rosto
fonte da minha infinita inspiração...

sábado, 9 de março de 2013

Peregrinação de Alice. Parte I.

O chamado da libélula.


             A cortina branca fina cedia às rajadas do vento, mostrando rosto e forma, cortejando o sopro frente às janelas escancaradas Alice contornava os traços vis da madrugada chuvosa, sentia o coração acelerado. Os golpes da chuva invadiam o cômodo e chocavam-se no corpo febril e na mente agora ensandecida, a água havia se espalhado por quase todo chão, molhando o tapete e pontas das cobertas, Alice sentia o líquido gelado rasgar o esírito inconformado, um grito histérico. Trinta e nove graus marcava o termômetro de mercúrio, ela coçava a testa, num gesto confuso, apertando o olho esquerdo em pura expressão de impaciência. Deixou a janela aberta e não se importando com a poça d'água, retirou as vestes e entrou no box, girando rapidamente o registro do chuveiro, deixando cair sobre os ombros a ducha intensa. Alice imaginou que a água podia tirar de si aquele sentimento impertinente, que levaria seus problemas embora... idealizou os outros caminhos por instantes, caminhos aqueles que não tomou.

            Terminado o banho Alice secou brevemente o corpo, deixando a pele úmida, enrolou a toalha nos longos cabelos castanhos, dirigiu-se até a cozinha. Meio copo de leite, trinta segundos no microondas, retira antes disso, depois de balançar o copo fazendo o líquido girar, toma em pequenos goles e retorna ao quarto. Depara-se com o espelho e olha para si, critica os contornos e aproxima-se de seu reflexo, retirando a toalha dos cabelos os desembaraça com as mãos, analisando seus olhos bem de perto. Respira profundamente e deita-se na cama, de bruços, colocando o travesseiro sobre a cabeça, sentindo o frio do quarto invadido pela noite chuvosa.
  
             São cinco e meia da manhã de sábado, cansada de estar na cama, Alice vai até a cozinha e liga a cafeteira, ligando também o computador, colocado no canto da sala pequena, estrategicamente próximo da cafeteira. Lava o rosto reparando suas olheiras. Segue o cheiro do café, enchendo a chícara pela metade e lembrando-se da conversa havida com Hermés, envia-lhe um email:

Sobre nós.
Todos meus atrasos foram sinceramente, atrasos. Um ou outro fiz por querer, todos os outros, o fiz sem pensar. Errei, nada que eu tivesse desejado ou planejado. Não te prometi o futuro, te dei meu coração agora. Se pedi não desculpas foi porque não me arrependi. O passado trouxe lições que esqueci, os pesares, eles todos eu queimei, tenho recordações, não vivo delas. Meu espírito é livre. Encaro a sorte, não o arbítrio alheio, sigo o caminho e não outros passos. Diante de grades, quero o liberdade de voar.
 
Enviado por Alice às 05:42 hs em 20/02/2008

          Olhando fotos antigas da família, o telefone toca e ela desconecta o fio sem curiosidade. Relê a mensagem, e envia, ciente da discussão que tais palavras irão causar. Prepara-se para uma caminhada pelas ruas úmidas solitárias, colocando o jeans e all star azul, vai ao encontro do amanhacer. Via-se a lua e algumas estrelas, inda era escuro e as luzes dos postes brilhavam na água da chuva empoçada no chão. Os pássaros inauguravam a manhã, chamando a luz do sol num ritual quase místico, voavam de um lado a outro, empoleirando-se nos fios de luz.

          Seguia pela calçada sozinha, e sentou num dos bancos do parque bem em frente à lagoa, e olhando o reflexo do céu na água Alice deixou seus pensamentos se deleitarem na paisagem, relaxando o corpo, adormeceu brevemente. Sonhou estar na mesa de um pub com duas pessoas que não reconheceu, mas sentia serem velhos amigos, foi tomada pelo riso, não sabendo discernir exatamente o que estava sendo dito. Tudo aconteceu rapidamente, no liame entre o acordar e dormir, sentiu uma grande luz se dirigir a si, então ouviu: Alice! Alice!

         Abriu rapidamente os olhos, vendo diante de si uma libélula estática  agitando suas asas rapitamente, teve a imediata sensação de que estava sendo fitada por ela, ouvia o barulhinho de suas asas, sentiu-se hipnotizada, Alice foi levantando as mãos vagarosamente pensando em pegá-la, quando então a libélula se aproximou ainda mais de seus olhos por mais alguns segundos e se foi.



sábado, 10 de novembro de 2012

Pablo Neruda


Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.
Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Piano Favorito


Piano favorito. 

Quando criança, descobri um piano
numa grande sala vazia, ele se posicionava próximo às grandes janelas
cobertas por longas cortinas empoeiradas.

Me aproximei dele, deitando as pontas dos dedos
sobre a sílabas brancas engravatadas
tocando cada nota, encetando a palavra grave
sibilando ao agudo, enfeitiçando o gesto infantil.

Desconfiei inocente, 
tais notas serem as traduções daquela coisa que gente tem, 
um êxtase, quando se ama algo ou alguém, 
o inflamar da alma, na respiração estremecida,
a paixão incandescente... desmedida.

O tempo passa...
e no avanço de instantes, abafa o grito agudo
do coração delirante,
determinando que os sentimentos mais tenros tenham prazos
esmiuçando-os na vivência lúcida de um caminho vil,
trocando as palavras por silêncios,
o entusiasmo por sobriedade,
e o calor por coisas mornas.

O futuro exige menos sentimento, mais trabalho,
escurecendo a curiosidade, o brilho dos olhos,
e o sabor do chocolate.

Na sombra dos pensares, surge aquele tom,
permeando as ruas cinzentas habitadas
atraindo alheios corações calados,
e beijando versos solenes, o piano toca alucinado,
arrancando do peito lacrado
àqueles versos apaixonados.

sábado, 18 de agosto de 2012

roda cigana

invoquei o santo i saí 
oxalá!
passô pertim di mim
garrô logu sambá,
botei u vistido branco di Ayrà,
pus u corpu todim a rodá,
cas pétala di rosa branca
jogava nus arredó
abria as passage di Oyá.
quela dança toda,
num vi o carro passá...

nu zóiu du dotô
via u ispeio i ispanto
nas mão o sangue vremeio
i u povo todo a oiá,
oiei pa trais, tava eu lá
deitada branco e vremeio,
nos braço de Egunitá.

sinti u frio du corpu,
as vóis tudo a chorá,
na bera di istrada,
povo gemendo
inté chegá nas areia
cas flor branca
nus braçu di Iemanjá.

cincu fio deixei piá,
mais insinei tudo a rezá,
cuido delis todu dia
só pidí i abençoá.

nus cultu sempri tô lá,
pra cuidá
num si acidentá.

Somebody That I Used To Know - Gotye



Now and then I think of when we were together
Like when you said you felt so happy you could die
Told myself that you were right for me
But felt so lonely in your company
But that was love and it's an ache I still remember

You can get addicted to a certain kind of sadness
Like resignation to the end, always the end
So, when we found that we could not make sense
Well, you said that we would still be friends
But I'll admit that I was glad that it was over

But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened and that we were nothing
And I don't even need your love
But you treat me like a stranger and that feels so rough
No, you didn't have to stoop so low
Have your friends collect your records and then change your number
I guess that I don't need, that though
Now you're just somebody that I used to know
Now you're just somebody that I used to know
Now you're just somebody that I used to know

Now and then I think of all the times you screwed me over
But had me believing it was always something that I'd done
But I don't wanna live that way, reading into every word you say
You said that you could let it go
And I wouldn't catch you hung up on somebody that you used to know

But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened and that we were nothing
And I don't even need your love
But you treat me like a stranger and that feels so rough
No, you didn't have to stoop so low
Have your friends collect your records and then change your number
I guess that I don't need, that though
Now you're just somebody that I used to know

Somebody, I used to know
Somebody, now you're just somebody that I used to know
Somebody, I used to know
Somebody, now you're just somebody that I used to know

I used to know
That I used to know
I used to know
Somebody

sábado, 21 de abril de 2012

âmago: coração, espírito e sentimentos

Tempo tempo tempo, vou lhe fazer um pedido... na voz do Caetano,
e reflito,
que diabos
a gente tem aquele pedaço de alma machucado,
escondido atrás da porta,
dói vez enquando... alfinetado
uma voz cantarola músicas
de outro lugares, de outras flores,
que rumo é esse que gira o tempo?
pretensão essa que guia a prumo e vela?
um sem número de lágrimas
traz àqueles insolentes
cuja vida não subsome viver
tão pouco...
e mesmo sem querer,
trazem cores e gestos de outros lugares,
cada um deixa um pouco e leva um pouco,
nos pontos selados na linha do tempo,
c'est la vie.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Love me two times

Versão The Doors no piano,
de George Winston,
Magnifíco!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

reflexão

no recesso todos os dias me parecem sábados,
exceto os domingos,
e penso dentro do reflexo, nas coisas futuras,
em silêncio, porque a força do esboço arrancaria-me
qualquer palavra.
ontem acordei sonhando com a tese enigmática,
que por horas me roubou as noites,
numa epifania de respostas,
concatenando as idéias,
na cabeceira
a caneta e o moleskine azul
caso pareçam efêmeras.

uma lista de afazeres barram este pensante
a seguir velozmente,
desimporta, se vivo, sigo.

para o deleite, recomendo,
àqueles que não podem custear a obra dos grandes pintores,
o "picture book", da Scala,
seleciona cinco obras do autor/estilo,
excelente.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

poeminha do fim da tarde

Finda tarde,
cega os olhos o sol oblíquo na passagem de pedra e piche,
um insistente fuça os nós do pensamento vivo
enquanto amenidades aquilatam o convívio lento

Não importa o tempo,
sempre finda a tarde,
o vento memórias,
nos caminhos desculpas.

Passo os olhos no colorido da paisagem,
que se converte na ideia,
fingindo ser ela a própria estampa
da saudade do vento.

na ambição da fruta,
marcam suas mordidas as larvas sedentas
nas flores perdidas
sabidas
em prol das borboletas.

o verde-azul divide o espaço,
e a cortina fendada recosta a janela aberta
escancarada pelo soprado gelado
espalhando razões pelo chão,
nos espaços vagos,
dos lembretes ardis dos esboços
cada dia mais suavizados.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

rotina

depois de muita chuva nessa boa e velha Blumenau,
o sol apareceu seco e gelado,
olho o lixo separado, e a reciclagem que não aparece,
e o gás acabou no meio do preparo do bolo,
salvo (nem tanto) pelo microondas.
Quarta, dia de compras no mercado,
mais papel e plástico para reciclar...
o vento gelado bate a porta furiosamente,
como se pusesse o dedo em riste
na face do transitante.
Notícias de New York city na globo news,
crise, balão econômico, e a preocupação com a China,
aperto os botões do controle remoto,
ciente da troca de pilhas, o volume dispara alto...
Na romazeira desponta a primeira folha,
naquela imagem seca de inverno vejo um sinal de vida,
a cerejeira - ameaçada seriamente por mim, (na foto)
mostra-se interessada em continuar ocupando o centro do jardim
olho minhas orquídeas tímidas, noto que a Phalaenopsis prepara flores (!)
depois a trago para dentro, depois da previsão do tempo.... neve em Urubici.
Hora de sair....

segunda-feira, 27 de junho de 2011

alma em todo canto


Lembrando Fernando Pessoa:
Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim,
nem que eu faça a falta que elas me fazem.
O importante pra mim é saber que eu,
 em algum momento,
 fui insubstituível,
e que esse momento será inesquecível.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Bonecas

Alice
menina da pele alva e longos cabelos dourados,
quer saber, e num tom afirmativo fala
- papai, parece que você vai ficar aqui até ficar velho...
as palavras cairam como taças e quebraram como ferro,
ensurdecendo pensamentos.

ela diz,
- não vou no brinquedo de criancinha, quero sentir um frio na barriga...
(referindo-se ao trem fantasma)

Alice,
menina, tens so poucos, pouquinhos anos,
quem te ouve menina?
quem vê a angústia cor de mel dos teus olhos?
nenhum preparo,

ninguém espera.

o que te espera Alice?

Contos bonitos, com praças coloridas ao alvorecer
árvores de pés de feijões,
galinhas que colocam ovos de ouro,
sonhos de miss e coelhos atrasados.

A vida não tem dó

meus olhos de infância
inda lembro
tinha medo do escuro
e do que tinha debaixo da cama

senti o frio na barriga,
mas não por causa do trem fantasma,
foi pelo que dissestes, menina. Deus te guarde.