sexta-feira, 6 de março de 2009

nota de dólar pelo silêncio


existem tantos vilões e heróis na história...
mas gostaria de saber a definição exata de vilão e herói.

para herói, encontro a seguinte definição: homem extraordinário pelas suas qualidades guerreiras, triunfos, valor ou magnanimidade; homem notável pelos seus desmandos, que se envolveu em aventuras e escândalos.

e para vilão, curiosamente o dicionário me diz que significa rústico; abjecto;
desprezível, miserável; que ou aquele que é habitante de uma vila;
camponês; plebeu.

Incrível como um simples jogo de palavras pode definir e traçar a vida das pessoas...
pode-se entender de diversas maneiras ambas palavras,
imagino que em notável maioria, as pessoas tendem a acreditar que se trata do bem e do mau,
como a imagem imputada na grande maioria dos filmes de guerra e na história que se conta,
como se trata toda e qualquer guerra, há sempre o herói e o vilão.
heróis salvam uma pátria...
heróis assassinaram covardemente mil e tantas pessoas com suas poderosas armas letais
heróis lançaram a bomba atômica matando fria e lentamente mil e tantas pessoas
heróis dizimaram algumas populações na África,
heróis tiram a vida de pessoas no Iraque para que os iraquianos sejam livres
os heróis gostam da guerra,
os heróis sacrificam vidas por um propósito tido como "maior", algo "valoroso"
os heróis mesmo são aqueles que ganham a guerra.
os heróis...
esses heróis covardes,
numa desenfreada luta pelo poder, transborda de sangue a ganância que a guerra consome
transborda de almas gentis o inferno dos heróis
transborda de ódio, medo e mortos.
Não entendo, e nunca vou entender a guerra
não gosto nem dos filmes de guerra
porque eles sempre mostram dois lados: o herói e o vilão...
matar alguém inocente é ser mau.
quem consegue entender a guerra?
de um lado a dominação, do outro a resistência
de ambos os lados: sangue de pessoas inocentes.
fala-se tanto de Direitos Humanos, o discurso sempre traz algo convincente,
luta pelos direitos, que luta? a guerra? que direitos? sobre o petróleo, diamantes?
porque se apóia a guerra? ela lucra? muito.
Há quem ache que só com guerra pode-se levantar economicamente um país...
mas prega que o trabalho, a retidão, os bons costumes, princípios de heróis...
há demasiada hipocresia, tudo demasiadamente falso, mascarado, fútil.
Os vilões? todos aqueles que se opõem aos "heróis",
todos aqueles que contestam, resistem
os tais plebeus.... ah, claro, tais vilões não são contemplados com os Direitos Humanos, não, isso nunca!
Os vilões devem morrer, de preferência com muito sofrimento,
frente a um público de heróis aprendizes, para que estes continuem seguindo na retidão,
lembro de alguns participantes da 2ª guerra mundial que foram julgados e condenados pelos seus crimes de guerra, não que eu achei injusto o fato de eles irem a julgamento,
mas se eles devem pagar pelos crimes de guerra - genocídio - que cometeram,
porque só alguns? e porque restrita é a nacionalidade desses condenados de guerra?
bem, quantos mesmos foram responsabilizados? quem eram eles?
onde eles foram julgados? e mais importante, que crimes eles foram condenados?
"ouve-se muito no mundo" tanta merda sobre a guerra,
mas grandes genocidas foram poupados...
grandes genocidas SÃO poupados,
e o que é pior, não há sequer algum órgão internacional que questione isso
não vejo nenhuma notícia sobre isso
será que o mundo inteiro se curva a uma nação dominadora?
se curva a nação de heróis,
porque todos, a qualquer momento,
podem ser os vilões.
a força que se impera é a política do medo?
a prisão do medo da qual nossas políticas liberais controlam seus interesses,
nossas prisões,
direitos desumanos,
liberdade a custo de quê?
que liberdade?

os piores crimes que uma humanidade pode presenciar,
guerras, a miséria e da guerra e da miséria a fome!
os responsáveis da guerra se escondem atrás de valores hipócritas e muito dinheiro
mandam seus "heróis" para batalha, enquanto seus mandantes comem caviar e tomam um café da merda de morcegos nas suas poltronas confortáveis de couro de viado
- que se matem! devem pensar, enquanto escolhem uma arte de Picasso -
de ambos os lados: vidas humanas, pessoas de todo tipo, toda raça, todo credo,
será que a nota de dólar vale mesmo uma vida?
o mais importante é o seu silêncio! schhhhh

segunda-feira, 2 de março de 2009

arte

Picasso:woman with book

"O quadro está acabado quando apagou a ideia que o motivou".
Georges Braque

a outra

Paz, eu quero paz
Já me cansei de ser a última a saber de ti
Se todo mundo sabe quem te faz chegar mais tarde
Eu já cansei de imaginar você com ela
Diz pra mim se vale a pena, amor
A gente ria tanto desses nossos desencontros
Mas você passou do ponto e agora eu já não sei mais...

Eu quero paz
Quero dançar com outro par pra variar, amor
Não dá mais pra fingir que ainda não vi
As cicatrizes que ela fez
Se desta vez ela é senhora deste amor
Pois vá embora, por favor
Que não demora pra essa dor... sangrar

Composição: Marcelo Camelo

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Brecht: merece atenção!

Aos que vierem depois de nós

Bertolt Brecht
(Tradução de Manuel Bandeira)


Realmente, vivemos muito sombrios!
A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.

Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranqüilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?

É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem
[(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: "Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!"

Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.

Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,
deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.


Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.

Íamos, com efeito,
mudando mais freqüentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes,
desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.

E, contudo, sabemos
que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade
não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nóscom indulgência.

disponível em: http://www.releituras.com/bbrecht_menu.asp

Ingênuo - Pixinguinha


Eu fui ingênuo quando acreditei no amor
Mas, pelo menos jamais me entreguei à dor...
Chorei o meu choro primeiro
Eu chorei por inteiro pra não mais chorar
E o meu coração permaneceu sereno
Expulsando o veneno pelo meu olhar...
... eu procurei me manter como Deus mandou
Sem me vingar que a vingança não tem valor
E depois também perdoar a quem erra
É ser perdoado na Terra
Sem ter que pedir perdão no céu.
Eu não quis resolver
Eu não quis recusar
Mas do amor em ruína, uma força termina
Por nos dominar e depois proteger
Dos abismos que a vida traçar
Quando o tempo virar o único mal
E a solidão começa a ser fatal...
Eu não quis refletir, não
Eu não quis recuar, não
Eu não quis reprimir, não
Eu não quis recear...
Porque contra o bem nada fiz
E eu só quero algum dia
Ser feliz como eu sou infeliz...

Passarim - saudoso Tom


Passarim quis pousar, não deu, voou
Porque o tiro partiu mas não pegou
Passarinho, me conta, então me diz:
Por que que eu também não fui feliz?
Me diz o que eu faço da paixão?
Que me devora o coração..
Que me devora o coração..
Que me maltrata o coração..
Que me maltrata o coração..

E o mato que é bom, o fogo queimou
Cadê o fogo? A água apagou
E cadê a água? O boi bebeu
Cadê o amor? O gato comeu
E a cinza se espalhou
E a chuva carregou
Cadê meu amor que o vento levou?
(Passarim quis pousar, não deu, voou)

Passarim quis pousar, não deu, voou
Porque o tiro feriu mas não matou
Passarinho, me conta, então me diz:
Por que que eu também não fui feliz?
Cadê meu amor, minha canção?
Que me alegrava o coração..
Que me alegrava o coração..
Que iluminava o coração..
Que iluminava a escuridão..

Cadê meu caminho? A água levou
Cadê meu rastro? A chuva apagou
E a minha casa? O rio carregou
E o meu amor me abandonou
Voou, voou, voou
Voou, voou, voou
E passou o tempo e o vento levou

Passarim quis pousar, não deu, voou
Porque o tiro feriu mas não matou
Passarinho, me conta então, me diz:
Por que que eu também não fui feliz?
Cadê meu amor, minha canção?
Que me alegrava o coração..
Que me alegrava o coração..
Que iluminava o coração..
Que iluminava a escuridão..
E a luz da manhã? O dia queimou
Cadê o dia? Envelheceu
E a tarde caiu e o sol morreu
E de repente escureceu
E a lua, então, brilhou
Depois sumiu no breu
E ficou tão frio que amanheceu
(Passarim quis pousar, não deu, voou)
Passarim quis pousar não deu
Voou, voou, voou, voou, voou

sábado, 21 de fevereiro de 2009

marés da vida

Existe um desejo humano
um lugar ao sol,
frente ao mar
se pode ver a linha do horizonte
o sol beijando as ondas ao longe
algumas nuvens alaranjadas
raios de sol picados que tocam a água
pequenas bênçãos
o céu de blues.

Existe um desejo humano
além da linha do horizonte
cruzar os mares
enfrentar suas marés
grandes ondas, tempestades...
estrelas refletidas em todos os horizontes
noites de escuridão total
um barco segue
além
além dos desejos humanos
além das tempestades
de horizontes
das estrelas
das marés.

Existe um desejo humano
que quer algo além das belas paisagens
além do mito das cavernas e suas sombras
que abre seu peito à procura
numa busca de outro cais
cruzando o horizonte,
mesmo sozinho, o barco segue,
seus tripulantes: os pensamentos,
o vento os leva...
a viagem é a vida
nem todos os dias são de sol
nem todos são tempestades.

As tempestades nos fazem trabalhar mais.