sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Piano Favorito


Piano favorito. 

Quando criança, descobri um piano
numa grande sala vazia, ele se posicionava próximo às grandes janelas
cobertas por longas cortinas empoeiradas.

Me aproximei dele, deitando as pontas dos dedos
sobre a sílabas brancas engravatadas
tocando cada nota, encetando a palavra grave
sibilando ao agudo, enfeitiçando o gesto infantil.

Desconfiei inocente, 
tais notas serem as traduções daquela coisa que gente tem, 
um êxtase, quando se ama algo ou alguém, 
o inflamar da alma, na respiração estremecida,
a paixão incandescente... desmedida.

O tempo passa...
e no avanço de instantes, abafa o grito agudo
do coração delirante,
determinando que os sentimentos mais tenros tenham prazos
esmiuçando-os na vivência lúcida de um caminho vil,
trocando as palavras por silêncios,
o entusiasmo por sobriedade,
e o calor por coisas mornas.

O futuro exige menos sentimento, mais trabalho,
escurecendo a curiosidade, o brilho dos olhos,
e o sabor do chocolate.

Na sombra dos pensares, surge aquele tom,
permeando as ruas cinzentas habitadas
atraindo alheios corações calados,
e beijando versos solenes, o piano toca alucinado,
arrancando do peito lacrado
àqueles versos apaixonados.

sábado, 18 de agosto de 2012

roda cigana

invoquei o santo i saí 
oxalá!
passô pertim di mim
garrô logu sambá,
botei u vistido branco di Ayrà,
pus u corpu todim a rodá,
cas pétala di rosa branca
jogava nus arredó
abria as passage di Oyá.
quela dança toda,
num vi o carro passá...

nu zóiu du dotô
via u ispeio i ispanto
nas mão o sangue vremeio
i u povo todo a oiá,
oiei pa trais, tava eu lá
deitada branco e vremeio,
nos braço de Egunitá.

sinti u frio du corpu,
as vóis tudo a chorá,
na bera di istrada,
povo gemendo
inté chegá nas areia
cas flor branca
nus braçu di Iemanjá.

cincu fio deixei piá,
mais insinei tudo a rezá,
cuido delis todu dia
só pidí i abençoá.

nus cultu sempri tô lá,
pra cuidá
num si acidentá.

Somebody That I Used To Know - Gotye



Now and then I think of when we were together
Like when you said you felt so happy you could die
Told myself that you were right for me
But felt so lonely in your company
But that was love and it's an ache I still remember

You can get addicted to a certain kind of sadness
Like resignation to the end, always the end
So, when we found that we could not make sense
Well, you said that we would still be friends
But I'll admit that I was glad that it was over

But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened and that we were nothing
And I don't even need your love
But you treat me like a stranger and that feels so rough
No, you didn't have to stoop so low
Have your friends collect your records and then change your number
I guess that I don't need, that though
Now you're just somebody that I used to know
Now you're just somebody that I used to know
Now you're just somebody that I used to know

Now and then I think of all the times you screwed me over
But had me believing it was always something that I'd done
But I don't wanna live that way, reading into every word you say
You said that you could let it go
And I wouldn't catch you hung up on somebody that you used to know

But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened and that we were nothing
And I don't even need your love
But you treat me like a stranger and that feels so rough
No, you didn't have to stoop so low
Have your friends collect your records and then change your number
I guess that I don't need, that though
Now you're just somebody that I used to know

Somebody, I used to know
Somebody, now you're just somebody that I used to know
Somebody, I used to know
Somebody, now you're just somebody that I used to know

I used to know
That I used to know
I used to know
Somebody

sábado, 21 de abril de 2012

âmago: coração, espírito e sentimentos

Tempo tempo tempo, vou lhe fazer um pedido... na voz do Caetano,
e reflito,
que diabos
a gente tem aquele pedaço de alma machucado,
escondido atrás da porta,
dói vez enquando... alfinetado
uma voz cantarola músicas
de outro lugares, de outras flores,
que rumo é esse que gira o tempo?
pretensão essa que guia a prumo e vela?
um sem número de lágrimas
traz àqueles insolentes
cuja vida não subsome viver
tão pouco...
e mesmo sem querer,
trazem cores e gestos de outros lugares,
cada um deixa um pouco e leva um pouco,
nos pontos selados na linha do tempo,
c'est la vie.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Love me two times

Versão The Doors no piano,
de George Winston,
Magnifíco!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

reflexão

no recesso todos os dias me parecem sábados,
exceto os domingos,
e penso dentro do reflexo, nas coisas futuras,
em silêncio, porque a força do esboço arrancaria-me
qualquer palavra.
ontem acordei sonhando com a tese enigmática,
que por horas me roubou as noites,
numa epifania de respostas,
concatenando as idéias,
na cabeceira
a caneta e o moleskine azul
caso pareçam efêmeras.

uma lista de afazeres barram este pensante
a seguir velozmente,
desimporta, se vivo, sigo.

para o deleite, recomendo,
àqueles que não podem custear a obra dos grandes pintores,
o "picture book", da Scala,
seleciona cinco obras do autor/estilo,
excelente.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

poeminha do fim da tarde

Finda tarde,
cega os olhos o sol oblíquo na passagem de pedra e piche,
um insistente fuça os nós do pensamento vivo
enquanto amenidades aquilatam o convívio lento

Não importa o tempo,
sempre finda a tarde,
o vento memórias,
nos caminhos desculpas.

Passo os olhos no colorido da paisagem,
que se converte na ideia,
fingindo ser ela a própria estampa
da saudade do vento.

na ambição da fruta,
marcam suas mordidas as larvas sedentas
nas flores perdidas
sabidas
em prol das borboletas.

o verde-azul divide o espaço,
e a cortina fendada recosta a janela aberta
escancarada pelo soprado gelado
espalhando razões pelo chão,
nos espaços vagos,
dos lembretes ardis dos esboços
cada dia mais suavizados.