sexta-feira, 3 de julho de 2009

um banco vazio

de que adianta tanta coisa
se tudo não passa de palavras?
intenções?
versos lindos?
canções?
porque alimentar um sentimento
se não existe a vontade de concretizar nada?
pra que imaginar tanta coisa,
se tudo acaba num mesmo lugar,
lugar nenhum.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

entender

saudade,
foi o que disse ele,
saudades, muitas saudades,
e eu disse que
quero
apenas
entender:
porque?

segunda-feira, 22 de junho de 2009

pesos e medidas


"Para os amigos, as benesses da lei,
para os inimigos, os rigores da lei,
e aqueles que não são nem um,
nem outro, apenas a lei".

Citado por Getúlio Vargas, de Maquiavel.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

definitivo

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado
e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido a
o lado do nosso amor e não conhecemos,
por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto
e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos
e nunca chegamos a experimentar.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional...

Carlos Drummond de Andrade

um suspiro para sexta

Último Poema - de Manuel Bandeira

Assim eu quereria o meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais,
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas,
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume,
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos,
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

um trechinho do Bauman, sobre ideologia

O papel chave que a "ciência das idéias" estava fadada a desempenhar na contrução de um mundo humano governado pela razão e integrado por seres de comportamento racional praticamente não exigia outro argumento.
Isso graças a uma série de suposições simples: a conduta humana é guiada pelas idéias que as pessoas têm; as idéias se formam através do processamento, como tudo o mais na natureza, está sujeito as leis estritas; tais leis podem ser descobertas com a sistemática observação e experimentação; uma vez descobertas, podem ser usadas - como outras leis naturais conhecidas - para melhorar a realidade: nesse caso, para garantir que nenhuma sensação enganosa se ofereça a processamento e que as verdadeiras sensações não se distorçam quando processadas - de modo que se formem e sejam adotadas somente idéias verdadeiras, aquelas que passam no teste da razão.
Nas palavras de Mercier, um dos luminares do instituto francês, as idéias "são tudo o que existe" e, segundo o próprio Tracy, " existimos pelas sensações das idéias. Nenhuma coisa existe senão pela idéias que dela fazemos." grifo nosso (p. 115)
BAUMAN, Zygmunt. Em busca da política.

Mídias

Mídia: Rede Imaginária (?)
Qual a importância da mídia nos processos de democratização cultural?
Globalização versus cidadania cultural local.
Espaços culturais e violência.

Assuntos da encubadora.