terça-feira, 26 de abril de 2011

chico

...eis que chega a roda vida e carrega o destino pra lá...

natureza

vi minha amiga querida,
com olhos equidistantes e suas delicadas mãos
sobre o terno
eterno
na escuridão de uma dor profunda,
num dia vergonhosamente lindo...

acordo na madrugada úmida,
com o coração acelerado
como se levasse um susto,
como se ouvisse um berro histérico,
e entre acordar e dormir eu choro
e peço, que eu leve um pouco da dor
de suas entranhas

eu sou covarde,
e a natureza impiedosa...

terça-feira, 12 de abril de 2011

azul claro

o relógio azul claro aponta: é tarde,
fim da tarde desponta no tempo,
e o tempo passa perto

do azul claro sonolento
fresco, abrandando a manhã,
numa sombra cálida
e um sopro úmido toca as folhas

a pequena relva cuidada
de folhas estrela da hera
alarga-se profusa
estendendo seus dedos
deitando-se na terra.

o azul tangente e iluminado do meio dia
na rubra face o calor embotado
pela frase inaudível dos pensamentos
num impulso, os olhos na enobrecida paisagem
ouvida ao longe, oblíqua e pobre

o azul terno, multicolorido, fecha a tarde
divina peça fechada pelas cortinas do vento
na clausura do eixo,
na prisão do tempo
num desejo lento
em pensamentos inválidos

no azul escuro o orvalho noturno,
se vê as flores resplandescentes pelo sol dos sonhos
no vasto veludo cravejado de diamantes
vazio e oculto, ao tom estridente do violino
observa-se o tímido caminhar dos astros celestes
pelos olhos daquele caído na atmosfera.

finda noite
o azul recomeça
na rouquidão da manhã
sem tempo.

quarta-feira, 23 de março de 2011

a musa do vagabundo

de uma alma solitária,
num canto manso a musa dança,
sem lamento
o mal trajado impuro,
dela se encanta, se embebeda, e ainda ri

cantarola um samba de Vinícius em homenagem a ela,
dizendo que é ela
é ela a musa, sempre foi ela
mesmo antes,
que ele guardou,
mesmo antes dela.

um sopro
muda tudo, ao som do piano
e as folhas do plátano
"cantarolando ao vento"
num domingo frio na rua vazia.

tanto tempo
aquelas folhas do papel,
que ela escrevia pautas riscadas
com a caneta azul

ela acenava, a musa do vagabundo,
como num samba triste e sem afeto
um samba sem lenço
a linda musa do miserável poeta

memórias conduzem a escuridão
do vagabundo cego
junta uns poucos versos
dos restos da imaginação
não importa

nas tímidas tardes
do poeta vagabundo
naufragou seus pensamentos nela
bebeu com outra

se esquece, entorpece
olhando pela cortina de traças
o impostor, o vagabundo
se esquece da musa
contra corrente no barco da vida

sem serenata de tamborim
o compositor dos acordes
hipócrita desafinado canta a musa

e
a
musa
dança

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Alea jacta est

passo firme ao chão,
armas em punho,
olhares atentos
de uniforme, marcha-se.

Alea jacta est,
vitória.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

a verdade

A verdade está em marcha e nada conseguirá detê-la.
Émile Zola

domingo, 19 de dezembro de 2010

Odisseia 2010

balanço positivo do ano,
projeção boa 2011.
Planos,
fazer aquilo que não fiz,
fazer melhor o que já fiz,
arriscar mais,
falar mais,
sorrir mais,
escrever mais,
ganhar mais dinheiro...
comprar mais livros
e
me chatear menos.
Fazer agenda 2011,
cumprir agenda 2011.