Cold Souls - Almas à venda
O incansável Paul Giamatti, interpreta um ator que passa por dificuldades ao interpretar uma peça do autor esta semana mencionado, Tchékhov, na famosa obra Tio Vânia, e acaba por decidir guardar sua alma em um recipiente de vidro, no "depósito das almas". Para não ficar sem alma, a substitui por uma de outra pessoa... Ao longo do filme, uma "mercadora de almas" vende a alma do referido ator para uma atriz russa.
E por assim vai...
Remete, obviamente, aos conflitos existenciais e no mínimo intrigantes sobre um assunto muitas vezes debatido, mas que, entretanto, guarda um enfoque inovador, relíquia cinematográfica.
Dirigido por Sophie Barthes.
Vive la france!
EXCELENTE!!!!
terça-feira, 3 de maio de 2011
segunda-feira, 2 de maio de 2011
O jardim das cerejeiras
falando da estante de livros...
"PICHTCHIK - (Espantado) Cem anos - quem diria?
GAIÉV - É. Uma coisa admirável. (abraça e acaricia a estante) Querida e honrada estante! Glória a ti por mais de cem anos tens servido os ideiais do bem e da justiça. Teu silencioso apelo ao trabalho profícuo nunca arrefeceu numa centena de anos, mantendo (lágrimas), em várias gerações desta família, a esperança de um futuro melhor, a fé no dia de amanhã, e inculcou em nós o sentimento da virtude e da consciência social."
No jardim das cerejeiras. Anton Tchékhov
"PICHTCHIK - (Espantado) Cem anos - quem diria?
GAIÉV - É. Uma coisa admirável. (abraça e acaricia a estante) Querida e honrada estante! Glória a ti por mais de cem anos tens servido os ideiais do bem e da justiça. Teu silencioso apelo ao trabalho profícuo nunca arrefeceu numa centena de anos, mantendo (lágrimas), em várias gerações desta família, a esperança de um futuro melhor, a fé no dia de amanhã, e inculcou em nós o sentimento da virtude e da consciência social."
No jardim das cerejeiras. Anton Tchékhov
terça-feira, 26 de abril de 2011
natureza
vi minha amiga querida,
com olhos equidistantes e suas delicadas mãos
sobre o terno
eterno
na escuridão de uma dor profunda,
num dia vergonhosamente lindo...
acordo na madrugada úmida,
com o coração acelerado
como se levasse um susto,
como se ouvisse um berro histérico,
e entre acordar e dormir eu choro
e peço, que eu leve um pouco da dor
de suas entranhas
eu sou covarde,
e a natureza impiedosa...
com olhos equidistantes e suas delicadas mãos
sobre o terno
eterno
na escuridão de uma dor profunda,
num dia vergonhosamente lindo...
acordo na madrugada úmida,
com o coração acelerado
como se levasse um susto,
como se ouvisse um berro histérico,
e entre acordar e dormir eu choro
e peço, que eu leve um pouco da dor
de suas entranhas
eu sou covarde,
e a natureza impiedosa...
terça-feira, 12 de abril de 2011
azul claro
o relógio azul claro aponta: é tarde,
fim da tarde desponta no tempo,
e o tempo passa perto
do azul claro sonolento
fresco, abrandando a manhã,
numa sombra cálida
e um sopro úmido toca as folhas
a pequena relva cuidada
de folhas estrela da hera
alarga-se profusa
estendendo seus dedos
deitando-se na terra.
o azul tangente e iluminado do meio dia
na rubra face o calor embotado
pela frase inaudível dos pensamentos
num impulso, os olhos na enobrecida paisagem
ouvida ao longe, oblíqua e pobre
o azul terno, multicolorido, fecha a tarde
divina peça fechada pelas cortinas do vento
na clausura do eixo,
na prisão do tempo
num desejo lento
em pensamentos inválidos
no azul escuro o orvalho noturno,
se vê as flores resplandescentes pelo sol dos sonhos
no vasto veludo cravejado de diamantes
vazio e oculto, ao tom estridente do violino
observa-se o tímido caminhar dos astros celestes
pelos olhos daquele caído na atmosfera.
finda noite
o azul recomeça
na rouquidão da manhã
sem tempo.
fim da tarde desponta no tempo,
e o tempo passa perto
do azul claro sonolento
fresco, abrandando a manhã,
numa sombra cálida
e um sopro úmido toca as folhas
a pequena relva cuidada
de folhas estrela da hera
alarga-se profusa
estendendo seus dedos
deitando-se na terra.
o azul tangente e iluminado do meio dia
na rubra face o calor embotado
pela frase inaudível dos pensamentos
num impulso, os olhos na enobrecida paisagem
ouvida ao longe, oblíqua e pobre
o azul terno, multicolorido, fecha a tarde
divina peça fechada pelas cortinas do vento
na clausura do eixo,
na prisão do tempo
num desejo lento
em pensamentos inválidos
no azul escuro o orvalho noturno,
se vê as flores resplandescentes pelo sol dos sonhos
no vasto veludo cravejado de diamantes
vazio e oculto, ao tom estridente do violino
observa-se o tímido caminhar dos astros celestes
pelos olhos daquele caído na atmosfera.
finda noite
o azul recomeça
na rouquidão da manhã
sem tempo.
quarta-feira, 23 de março de 2011
a musa do vagabundo
de uma alma solitária,
num canto manso a musa dança,
sem lamento
o mal trajado impuro,
dela se encanta, se embebeda, e ainda ri
cantarola um samba de Vinícius em homenagem a ela,
dizendo que é ela
é ela a musa, sempre foi ela
mesmo antes,
que ele guardou,
mesmo antes dela.
um sopro
muda tudo, ao som do piano
e as folhas do plátano
"cantarolando ao vento"
num domingo frio na rua vazia.
tanto tempo
aquelas folhas do papel,
que ela escrevia pautas riscadas
com a caneta azul
ela acenava, a musa do vagabundo,
como num samba triste e sem afeto
um samba sem lenço
a linda musa do miserável poeta
memórias conduzem a escuridão
do vagabundo cego
junta uns poucos versos
dos restos da imaginação
não importa
nas tímidas tardes
do poeta vagabundo
naufragou seus pensamentos nela
bebeu com outra
se esquece, entorpece
olhando pela cortina de traças
o impostor, o vagabundo
se esquece da musa
contra corrente no barco da vida
sem serenata de tamborim
o compositor dos acordes
hipócrita desafinado canta a musa
e
a
musa
dança
num canto manso a musa dança,
sem lamento
o mal trajado impuro,
dela se encanta, se embebeda, e ainda ri
cantarola um samba de Vinícius em homenagem a ela,
dizendo que é ela
é ela a musa, sempre foi ela
mesmo antes,
que ele guardou,
mesmo antes dela.
um sopro
muda tudo, ao som do piano
e as folhas do plátano
"cantarolando ao vento"
num domingo frio na rua vazia.
tanto tempo
aquelas folhas do papel,
que ela escrevia pautas riscadas
com a caneta azul
ela acenava, a musa do vagabundo,
como num samba triste e sem afeto
um samba sem lenço
a linda musa do miserável poeta
memórias conduzem a escuridão
do vagabundo cego
junta uns poucos versos
dos restos da imaginação
não importa
nas tímidas tardes
do poeta vagabundo
naufragou seus pensamentos nela
bebeu com outra
se esquece, entorpece
olhando pela cortina de traças
o impostor, o vagabundo
se esquece da musa
contra corrente no barco da vida
sem serenata de tamborim
o compositor dos acordes
hipócrita desafinado canta a musa
e
a
musa
dança
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