sábado, 4 de dezembro de 2010

a long time ago

hoje - finalmente - puder olhar, novamente, o que está acontecendo
no mundo real.
Sim, porque até agora, e por certo que daqui pra frente
vai ser sempre assim, sem tempo.
Hoje eu ouvi a seguinte frase:
- a gente tem que se organizar pra fazer as coisas.
É verdade,
acontece que essas coisas tem um limite...
quem tem muito a fazer,
obviamente vai se organizar,
ocorre que muitas vezes você tem que abrir mão de fazer alguma coisa,
afinal, eu não sou ninja,
ou o, flash,
por mais organizado que o tempo esteja
o dia só tem 24 horas.
Aí fica injusto qualquer um que diga: organiza-se!
Estou sem tempo até pra dormir....

domingo, 19 de setembro de 2010

Natureza globalizada

Noutro dia, em uma conversa em família,
onde quase ninguém escuta e todos falam ao mesmo tempo,
alguém me ouviu,
então pensei, porque não? - logo como é de praxe,
dispor de algo a ser pensado.

Há tantas discussões no âmbito internacional
relativas ao comércio, às políticas - diversas -,
entre tantas outras coisas que menos me preocupam,
e tenho tenho ficado preocupada,
apesar dos estudos que me enforcam
vez ou outra vejo algumas notícias,
até porque não há como ignorá-las,
elas estão lá, em qualquer lugar,
prontas para grudar em você, na tv, rádio, sites, na boca das pessoas,
estampadas nas capas de revistas, etc.

Percebi que não consigo mais jogar plásticos no lixo,
e a área de serviço conta com pelo menos 10 garrafas de amaciante
10 de detergente, e pelo menos 30 outras,
atitude que vem infectando todo o resto,
comprei shampoo que tem refil,
adotei alguns produtos biodegradáveis,
e venho incorporando outras atitudes
no intuito de sujar menos o mundo.

Afinal, o mundo é um só,
muito embora exista tanta xenofobia,
o mundo É um só.

Fiquei irresignada com a notícia do vazamento de petróleo,
não se fala mais nada, por hora,
mas e as conseqüências????
Até quando tais absurdos serão ignorados?
Todos os esforços - e pode ser um grande engano o que penso -
são para adquirir vantagens, exploração, aniquilação sobre a natureza,
e o que é pior, sobre as pessoas, os povos.

A ignorância é a paz,
pior é aquele que sabe e ignora.

Nada me impede dizer aquilo que todos sabem,
clichê - verdade -, o mundo está doente,
perceba, a natureza não se limita a apenas árvores,
reflorestamentos de pinus, eucaliptus.... (que representam outro absurdo)
falo das águas,
existe um tratamento de água
que não seja para o nosso próprio consumo egoístico?
Os freios são sempre depois, sempre remédio,
nunca prevenção.

Será que o tratamento que a água recebe
retira mesmo todos os venenos que jogamos nelas?
Tomamos veneno via encanamentos de água.
Não tenho um pensamento muito otimista,
já disse e repito, o mundo é um só.

Perfunctoriamente, sobre os créditos de carbono,
afinal, não teriam o propósito de diminuir a poluição?
A venda desses créditos me parece absurda.

Seja o que for,
pelo menos 40% do território mundial deveria
ser de preservação permanente.
Não falo (só) da Amazônia,
falo de todos os países,
proporcionalmente a seus limites territoriais,
40%, no mínimo.

Uma idéia que não parece tão absurda
se pensarmos que muito pouco está sendo feito.
(e não se engane, não sou adepta de teorias
apocalípticas, apenas realista)

Não é porque não enxergamos o mundo todo
nem justifique a poluição pensando que você não
vai mais estar por aqui quando acontecer,
já está acontecendo,
o mundo apenas parece infinito,
mas está descarrilado descendo o túnel...

Faça alguma coisa,
não suje o mundo hoje,
polua menos!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Maçã verde

Cercada de belas maçãs lustrosas vermelhas,
Alice com seus pés descalços caminha sobre elas
cuidadosamente para não machucá-las,
seus olhos alcançam somente o que a cerração não cobre,
poucos metros à sua frente maçãs vermelhas aos montes,
firmes aos seus pés, na textura lisa, encerada e seca.

Ouve-se um zunido ao longe,
e certa de que seguir o zunido chegará em algum lugar,
Alice direciona seu caminho na busca daquilo que não é silêncio,
e durante sua jornada, ela lembra das vozes amigas,
pensa que seus sonhos foram realizados por outras pessoas,
mas não por ela,
e o que faltou para ela? Coragem certamente não era.

Ficara escuro em toda volta
após longas horas de caminhada
em cima das maçãs vermelhas,
via-se na escuridão meio à neblina
apenas focos de reluzentes nas maçãs,
e Alice sentou para descansar e pegou uma maçã
afim de saciar sua fome, muito embora o cheiro das maçãs
já lhe trazia nojo.
A linda maçã vermelha não tinha gosto,
de casca rija encoberta pela pele perfeita
sua polpa era insossa, quase sem água.
Mas ela comeu assim mesmo,
não havia mais nada.

Alice ajeitou algumas maçãs para que pudesse
deitar-se, e apesar de desconfortáveis as maçãs frias
do zunido contínuo ao longe
o cansaço era mais forte, não houve demora a dormir.

Sentiu o calor do sol em seu corpo,
sinal que já era hora de voltar a caminhar
no deserto de maçãs vermelhas,
acompanhada pela neblina forte,
Alice sentia seus pés feridos
pelas doces maçãs
sentia o enjoo daquele cheiro doce,
de onde afinal surgiram tantas maçãs?

Pensou que não havia mais nada
gritou, com a esperança de ouvir além do zunido,
gritou de raiva
gritou para a solidão, para o medo.
Cantou com a tristeza, falou olhando para o chão
e para si mesma, irritando-se
em razão do caminho que havia tomado,
porque afinal fora em direção ao zunido?
Pergunta que levou a tarde consigo.

Após vários dias de caminhada,
Alice beirava a loucura,
achou que sua vida tornara-se um mar de maçãs vermelhas.

Tentou lembrar o que a tinha feito chegar naquele caminho.

...............

Ela lembrou do tempo em que não haviam maçãs vermelhas para se ver

era um mar
mar infinito de maçãs vermelhas....
visão que era-lhe insuportável,
teria de fazer algo diferente
tinha que mudar a situação,
começou então a fazer um buraco
jogando as maçãs para cima.

Quando Alice,
enternecida, vê meio às outras maçãs
outra cor: verde,
retira as maçãs que ainda lhe impede de ver o contorno
uma maçã verde!

Carrega-a consigo.
E durante alguns dias
pensa o que fez aquela maçã entrar em seu caminho,
desconfia de que alguém poderia ter colocado ela lá
prevendo suas ações,
e numa derradeira paranóia,
sente raiva da maçã
quer comê-la
a morde desejando-lhe a morte,
sentido o gosto da poluição do mundo
o dissabor asqueroso do seu ódio
e sentiu ódio de todo mundo,
jogando a maçã com toda sua força,
caindo no chão de maçãs vermelhas em prantos,
por estar sozinha, pelo caminho difícil,
por tudo que lhe acontecera...

Chora até seus olhos incharem,
e molhar a gola de seu vestido azul,
e num momento de consciência e sensatez
olha ao seu redor....

A neblina se dissipou
e o caminho das maçãs vermelhas era limitado
o zunido partia das abelhas
que circulavam os caminhos de maçãs....

Percebe que ao longo dos meses
queria sair daquele deserto de maçãs vermelhas,
circulava os mesmos caminhos,
por perseguir o zunido das abelhas,
que estavam apenas a buscar seu próprio mel.

Sentiu-se tola, levantou-se e partiu,
seguindo seu próprio caminho,
graças a maçã verde.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

mudança

Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas.
Mario Quintana

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Monteiro Lobato

Valha-me o Rei dos Peixes!

Balneário Camboriu

flores baldias

Ouvi,
sabe-se lá as tantas vezes a ouvi,
de um cd que dei ao meu pai,
no último domingo, e junto dele um cartão.

Um cartão que talvez para muitos represente pouco,
é só um cartão do pequeno príncipe...

Quando o vi, de fundo azul,
com o pequeno príncipeem sua roupa de gala,
cabelos amarelos esvoaçados
pendurado às estrelas, pelas quais era puxado
nas suas viagens pelo espaço.
Só havia um dizer no cartão:
Desenha-me um carneiro.

E ouvindo Gente humilde,
com versos recitados por Vinícius,
na viola de toquinho, num tom saudoso,
senti a lágrima.

Escrevi meus dizeres honestos em um rascunho,
e antes que a música acabasse,
tomada pela nostalgia,
eu vi um dia de páscoa,
tentava abrir a fechadura do portão... inalcançável,
as mangas molhadas da blusa de manga comprida feita de "plush" azul bebê
pesavam no bracinho pequeno, gelavam as mãozinhas,
e meu pai - um gigante de óculos e bigode, me chamava
com a cesta cheia de chocolates e balinhas (aquelas pequenininhas coloridas que ele sempre gostou)
me colocava no colo, me beijava as bochechas e fazia brincadeiras de rima.

Lembrei também do opa,
que fazia a mesma coisa...

Os dizeres do cartão eram honestos,
ele também me desenhou um carneiro,
e fez toda a diferença na vida.

Como era engraçado meu pai...
ficou feliz com meu presente,
me mostrou Gente humilde quando nos falamos esta semana no carro,
eu também gosto de Vinícius.
:)